19.6.11

A justiça da reencarnação

O que hoje nasce,
amanhã renasce
Conceituar justiça não é tarefa das mais fáceis. Tanto que os pensadores divagam há  milhares de anos em busca da melhor definição para o vocábulo. Não cabe aqui entrar nos meandros desta discussão.  Por isso, é razoável adotar a definição da enciclopédia: "Justiça é a virtude moral pela qual se atribui a cada indivíduo o que lhe compete; dar a cada  um o que lhe é devido; punir ou premiar o que deve ser punido ou premiado". Este conceito, é claro, cabe para a justiça dos homens, prevista nos códigos e nos regulamentos, escritos ou não, que prescrevem os direitos e deveres, além de estabelecerem as penas para as transgressões à ordem estabelecida.
Podemos,  no entanto, tomar por empréstimo este mesmo conceito e utilizá-lo também para a vida além da matéria.
Como se sabe, nossa vida tem sido analisada desde os primórdios. Os homens selvagens, ainda distantes da cultura acadêmica e científica, tinham um modo todo particular de explicar a vida e a morte. Mesmo nos povos mais atrasados, há registro de lendas sobre a sobrevivência da alma e a possibilidade de que o indivíduo retornasse à vivência corporal.
Entre os povos mais desenvolvidos é que se encontram as maiores dificuldades para aceitar a lógica da reencarnação. Isto porque o nosso planeta foi dominado pela cultura materialista, que prevê que após a morte o indivíduo se esvai, some, é sepultado e fim. Dali não retornará. Se gozou a vida, muito bem. Se aqui só sofreu, azar.
Isto traz grandes consequências no desenvolvimento dos seres e na forma como as pessoas veem a vida. Por exemplo, se hoje todos nós acreditássemos que a vida terminaria no dia da nossa morte, nossa relação com as pessoas certamente mudaria. Toda a luta, a ganância pela posse de bens estaria plenamente justificada.
Pensemos, por que nós nos sentimos muito mal quando vimos nos meios de comunicação as notícias referentes às falcatruas cometidas por pessoas de má índole, que desviam recursos públicos, que deveriam ser aplicados nas políticas públicas da saúde de nossas crianças e de idosos; no saneamento básico, na educação dos nossos jovens, em melhorar as condições de vida de todos os cidadãos?
Pois bem. Se a vida termina com a nossa morte, se nós não vamos ser responsabilizados pelos nossos atos, se os bons e os maus terão o mesmo fim, então que busquemos a satisfação dos nossos prazeres terrenos, mesmo que imorais. Quem sabe não  é esta a lógica das pessoas que buscam o prazer imediato, mesmo que a custa do sofrimento dos outros?  Pois o que realmente interessa para elas é que juntem alguns milhões, é que tenham bons carros, boas casas e conforto, pois as suas vidas estão calcadas em cima do material.
Sabemos que o material se corrompe, se deteriora ao longo da existência. Mesmo a nossa casa quando recebe os devidos cuidados precisa, vez por outra, de uma pequena reforma, de uma pintura, de reparos aqui e ali. O passar do tempo, as intempéries, enfim, causam algumas chagas que precisam ser periodicamente sanadas, para  recompô-la.
Tomar a matéria como forma exclusiva de vida é um desatino, uma falta de  bom senso e uma verdadeira falta de atenção às leis de funcionamento do Universo.  O que hoje nasce, amanhã renasce. Assim é hoje e continuará sendo ao longo de todos os tempos. É a lei natural.  
A justiça divina é muito mais aprofundada, se comparada com a justiça dos homens. Mesmo que o indivíduo, aqui na Terra, tenha condições de fraudar o fisco, de esconder suas posses, de cometer fraudes sem despertar a atenção das autoridades, ou, ainda, contar com o processo de corrupção que envolve os homens, perante a justiça divina ele estará nu. Não há como esconder suas más inclinações, seus vícios, seus defeitos. 
A história do indivíduo não é formada por uma única existência. Ela é extensa e nem ele próprio a conhece,  pois sofre de um providencial esquecimento, visando não conviver com culpa permanente e nem atormentado pelas ações negativas e pelos males que foram praticados em outros tempos, em outras circunstâncias.

A reencarnação

A reencarnação é a possibilidade que todos nós recebemos de nosso Criador para que curemos as feridas que causamos, os males que infligimos, os vícios que cultivamos nesta e ou em outras existências. Por isso encontramos aqui irmãos que parecem fadados ao sofrimento, com deficiências físicas, doentes e, por outro lado, pessoas que parecem nascidas para o sucesso. forme o seu merecimento.
A justiça divina não apresenta falhas como a nossa. Aquele homem que aqui cometeu desatinos e viveu mansamente, quando partir para a existência meramente espiritual se encontrará diante de si mesmo, aí poderá analisar o que fez, tudo o que cometeu. Retornará, depois, à vida material, não como uma punição, mas sim como uma oportunidade de progresso. 
Mesmo as nossas dores, nossas aflições atuais, nossas angústias, podem ter sido causados em vidas anteriores e nossa prova e expiação é transitar neste terreno, carregando em nossas costas experiências frustrantes.
Claro que hoje tudo parece tão difícil. As dores parecem maiores do que efetivamente são. Porém, se olharmos atentamente ao nosso redor podemos concluir que nossas dores talvez não sejam as maiores que há no planeta. Outras pessoas, muitas delas muito próximas de nós, estão em situação muito pior do que a nossa. 

Pena eterna
Não há pena eterna. O sofrimento de hoje, com certeza, resultará no crescimento do homem, que vai ser tornando, assim, ao longo da sua história, um homem mais polido, mais desenvolvido e que tende a sofrer cada vez menos, até a superação deste estágio.
Perseguir nesta estrada, com fé, com esperança, mesmo que as dores e as frustrações momentâneas nos perturbem, é o que devemos fazer, sempre. Sofremos porque somos imperfeitos. Deixar este estado de imperfeição é o desafio. Claro que não atingiremos a meta de uma hora para outra. Mas é certo que nós mesmos, com trabalho, com suor, com luta constante no caminho do bem, poderemos superar os embates atuais. 
Ao final de cada caminhada não receberemos nenhum troféu, nenhuma distinção, nenhum diploma. Porém é certo que sempre poderemos retornar, porque Deus assim quer e nos concede uma nova oportunidade para buscarmos o progesso espiritual que nos cabe, conforme o nosso merecimento.
A propósito,  Léon Denis, escritor francês contemporâneo de Allan Kardec, na obra Depois da Morte destaca que “o homem é o seu próprio juiz, porque, segundo o uso ou o abuso de sua liberdade, torna-se feliz ou desditoso”.
A propósito da infalibilidade da Justiça Divina, lembra também o consagrado  escritor francês que “a justiça não é  uma palavra vã, pois ela   governa os mundos e, sob o seu nível poderoso, todas as almas se curvam na vida futura, todas as resistências e rebeliões se anulam”. (por Solano Reis)

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